mulheres recebem quando estão muito fragilizadas pela chegada de seus filhos ao mundo. Lembrei-me que há 29 anos atrás, quando
fui dar a luz ao meu caçula, fui muito humilhada e maltratada, mas
como estava naquela situação de dependência, nem observei que estavam me tratando como uma coisa qualquer, e não como alguém
que sentia muita dor e precisava apenas de uma orientação mais humana. Lembro-me que ainda estava no quarto chamado de pré parto, quando uma enfermeira veio ver minha dilatação e nesse momento, minha bolsa estourou, a mesma me xingou e disse que eu não deveria ficar com a bexiga cheia, deveria ter ido ao banheiro.
Não estava com vontade de fazer xixi, mas a mesma não identificou que aquele líquido era o líquido amniótico. Ainda me disse que se eu já era mãe, deveria saber como era tudo. Respondi a ela que meu primeiro filho, tive de parto cesária, não senti contrações, foi tudo muito diferente. Bem, dali há alguns minutos, chegou o médico obstetra que examinou novamente e disse que estava na hora de ir para a sala de parto. Colocaram-me em uma cadeira de rodas com aquela avental e nada mais por baixo, nem sequer amarraram as tiras. Lembro-me que o médico ao ver aquele desleixo das funcionárias, chamou-lhes a atenção. Ao chegar na sala de parto, fui colocada na mesa ginecológica, em meio a muita dor de 5 em 5 segundos, as forças já acabando, ouvi uma funcionária dizer a seguinte frase: "Agora aguenta, prá fazer não estava bom?" Eu não acreditei que alguém que estudou, que talvez
acreditasse que era seu dom, poderia usar aquelas palavras com tamanho desrespeito e ironia. Lógico que não foram todas que me
deram esse tratamento horrível, mas infelizmente o que é ruim, sempre fica na nossa memória. Quando li há pouco tempo sobre
relatos de mulheres que sofreram humilhações em hospitais e clínicas, vi que esse assunto continua acontecendo do mesmo jeito que aconteceu comigo há quase 30 anos atrás. Será que com toda tecnologia, avanços na medicina e conforto que se encontra nos hospitais, terão as mulheres voltar ao tempo e ter seus filhos em casa com parteiras, porque com certeza elas eram muito bem tratadas, as parteiras ficavam nas casas o quanto fosse preciso
com todo amor, carinho e paciência, até chegar a hora da criança vir ao mundo. Bem aventurada sejam as poucas que ainda restam.
Eu e meus irmãos tivemos esse privilégio. Muito obrigada D.Ritinha, onde quer que a senhora esteja.

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